Efésios 1.6: O Propósito da Suprema Vontade de Deus
Texto bíblico:
“6 Para louvor e
glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado
(Eph 1:6 ACF)”
Introdução:
No
texto que temos diante de nós, encontramos a sequência do pensamento de Paulo,
observem o apóstolo Paulo ele sempre é lógico em seus pensamentos, em sua forma
de argumentar, ele sempre anuncia um conceito prévio para expandir esse
pensamento para concatenar as demais doutrinas, como quem une um elo de
correntes. Já vims como Paulo procede. Nos versos anteriores, aprendemos como
Deus soberanamente nos escolheu em seu filho, a doutrina da eleição nos ensina
a soberania de Desus sobre todas as coisas.
Vimos
também que Deus na eterniade havia decidido predestinar os homens, mas tal
predestinação em relação à igreja é uma predestinação em amor; nada é feito, da
parte de Deus por ódio ou favoritismo ele o faz porque ele assim deseja, sua
vontade soberana executa seu decreto eterno.
Uma
eleição e predestinação que visam à santidade do povo de Deus e não apenas a
redenção deste povo; entrentanto, aprendemos, aqui neste momento que esta
vontade divina excuta tudo com propósito definidos. O versículo 6 deste
capítulo nos coloca frente a frente com o propósito desta vontade soberana do
Senhor! Quais são estes propósitos? O que a vontade soberna do Senhor tenciona
ao executa o seu decreto de predestinação e eleição? Estas perguntas são
cruciais para compreender o nosso texto, para entendermos a mensagem do
evangelho conforme encontramos aqui.
I – VISA PROMOVER O LOUVOR A DEUS.
Se você é
Cristão, e tem frequentado regularmente esta igreja, já percebeu que tudo que
nós fazemos no shabbath Cristão (domingo)
consiste em adoração ao Senhor. Assim, aprendemos que a Eleição e Predestinação
deve conduzir o povo eleito de Deus à servir em adoração ou como coloca aqui
Paulo “louvor”! A palavra grega usada aqui “ἔπαινον”[epainon] essa palavra descreve o ato do
louvor! A vontade soberana de Deus nos conduz para a adoração; quando nós
estudamos a história da redenção vemos que tudo o que Deus tem feito ao homem é
resgatá-lo de volta para o louvor verdadeiro ao seu nome.
Quando Deus
criou o homem no Jardim do Éden tinha por objetivo que este homem louvasse sua
majestade, reconhecesse seu governo, e guardasse sua vontade revelada na sua
palavra. Porém, vemos o homem quebrando essa comunhão com Deus! E, então, o
homem é expulso do berço da adoração, o homem é banido da presença de Deus
revelada no Éden. Os dois filhos de Adão (Gênesis 4.1-2) que eram irmãos gêmeos
Caim e Abel, oferecem um ato de adoração a Deus (Gênesis 4.3-5); e, no contexto
dessa adoração há ira do no coração de Caim porque sua adoração não foi aceita (Gênesis 4.6-7),
pois, a mesma não estava de acordo com a vontade de Deus – vemos o primeiro
crime contra a vida acontecer! (Gênesis 4.8) E, posteriormente vemos um
silêncio total sobre louvor e invocação do nome do Senhor, e quando isso
ocorreu a maldade foi aumentando no coração do homem que havia esquecido do
Senhor!(Gênesis 4.9-25)
Mas, quando
Nasce Enos o louvor a Deus ao nome de Deus retorna ao cenário na história da
redenção (Gn 4.26), vemos que o padrão da Escritura é mostrar que esta vontade
soberana de Deus ao predestinar e eleger pecadores é para que os mesmos se
prostrem em louvor a Deus (João 4.24). Esta soberania promove o louvor a Deus no ato da escolha de
homens e mulheres pecadores!
II – VISA EXALTAR A
GLÓRIA DE DEUS.
Não é apenas o
louvor que e estimulado pela vontade predestinadora e eletiva de Deus! Além da
eleição e adoção de filhos, a soberana vontade de Deus na predestinação também
tem como propósito enaltecer a glória de Deus “para o louvor da glória”; nossa
existência neste mundo tem como propósito supremo a glória de Deus! É
exatamente isso que nós aprendemos em nosso catecismo “Qual é o fim supremo e
principal do homem?” a resposta todos nós conhecemos: “Glorificar a Deus!”
Tanto o catecismo maior quanto o menor nos direciona para a glória de Deus como
o alvo de nossa vida! Vivemos em uma época que as pessoas não tem mais uma
profunda reflexão sobre isso, parece que viemos a cantiga “deixa a vida me
levar, vida leva eu” sem nos importar com se o que estamos vivendo ou como
estamos vivendo é algo que Deus seja glorificado em nossa existência!
Paulo em outro
lugar nos ensina que tudo o que nós fazemos, comemos ou bebemos deve ser sempre
visando a glória de Deus (1 Coríntios 10.31) neste texto o apóstolo declara: “Portanto,
quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória
de Deus.”
Vemos em todas
as escrituras o ensino de que Deus faz tudo visando a sua glória isto não pode
ser negado. Como, por
exemplo, em sua ação predestinadora sobre os vasos e misericórdia (Romanos
9.23): “Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de
misericórdia, que para glória já dantes preparou”, esta verdade é perene na
vida do cristão, ele sabe que sua eleição por parte do Pai visa a glória de
Deus, por isso, ele viverá a vida perseguindo este objetivo! Glorificar a Deus
em tudo o que faz! Indagando em cada decisão e ação se aquilo glorificar a Deus
ou não! Esta é a verdadeira atitude do cristão!
O que é
glorificar a Deus? Este é o questionamento básico de todo cristão sério e
comprometido com a Palavra de Deus, pois, está no seu coração o desejo o
agradar a Deus! O puritano Thomas Watson, em seu comentário ao Breve Catecismo
de Westminster, nos oferece uma definição importante sobre o que é glorificar a
Deus, pois, este ano envolve quatro atitudes:
1. Apreciação: Aqui envolve a ideia de Deus ser o
propósito “principal” em nossos pensamentos e ações. Então, glorificar a Deus
envolve a apreciação de sua Pessoa.
2. Adoração: Glorificar a Deus envolve a atitude
de adoração nos Salmos 29.2: “Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome, adorai o SENHOR na beleza
da santidade.”.
Disso aprendemos que o homem foi
criado para cultuar a Deus. Isto significa que nós glorificamos a Deus de forma
corporativa na adoração pública.
3. Afeição:
Glorificamos a Deus quando o amamos, com toda a nossa força e entendimento, e o
nosso coração está devotado a Ele. Isso aprendemos na Bíblia: “Deutermômio 6:5
Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de
todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. ”
4. Sujeição: E
glorificamos a Deus quando nos submetemos a Ele e a sua Palavra: “Salmos 100:2
Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico.”
III – REVELAR A GRAÇA
DE DEUS
O último
aspecto que a vontade soberana do Senhor faz é certamente revelar ou tornar
manifesta, e executar certamente, a graça divina! Vejam como Paulo lida com
isso “Para louvor e glória da sua graça”
notaram como Paulo não consegue separar estes termos “louvor, glória e graça”!
Ele os coloca quase que de um fôlego só! É uma frase única e singular aqui
neste texto!
Lembremos que o
termo graça na pena de Paulo assume uma significação teológica deveras
importante. Paulo aqui fala desse favor imerecido que recebemos da parte de
Deus. Paulo ele ainda vai discorrer com maior profundidade sobre o termo graça
no capítulo 2 de Efésios. Mas, aqui quando nós consideramos mais de perto este
texto surge uma indagação – o que faz esta graça? O apostolo diz “pela qual nos
fez agradáveis
no Amado”. Precisamos considerar o que Paulo está nos dizendo aqui! É
erro grande passar por isso sem considerar, sem captar o que está sendo dito
aqui!
O que a graça
de Deus faz? Ela nos torna “agradáveis” a Deus! Considere isso por um momento!
Nossa condição anterior a Cristo era de sermos pecadores, defuntos ou seja,
mortos nos delitos e pecados (Efésios 2.1); nossa vida estava cheia de
imundícias, não havia nada em nós que nos recomendasse a Deus! A Palavra de
Deus vai nos ensinar que as nossas “obras de justiças” elas são como os trapos
da imundícia (Isaías 64.6); a chaga pútrida do pecado tornava-nos imundos
diante de Deus! Então, o que a graça de Deus fez em nosso favor? Ela não apenas
nos mostrou a gratuidade da salvação, mas também nos fez “aceitáveis” diante de
Deus! Deus usou a graça para que ele ofertasse gratuitamente condições de nossa
aceitabilidade diante de sua santidade augusto e magnânima!
Mas, como a
graça nos fez “agradáveis” a Deus? Algumas pessoas pensam na graça como um mão
estendida até o pecado e o pecado só levanta a mão para segurar a graça! Ledo
engano, a graça não opera em nossa vida pelo nosso esforço, ou por qualquer
obra que viemos a praticar em direção ao bem espiritual – nossa condição é de
morto ambulante, de cadáver espiritual, e todas as nossas boas ações são trapos
de ímudícias; mas, então como? Como a graça nos tornou “agradáveis” ao Deus
soberano!?
Observe o texto
mais uma vez “pela qual (pela graça) nos
fez agradáveis no amado”. O Fundamento
da graça é cristo e não as nossas obras! Agora considere é porque Deus ama a
Cristo que fomos tornados agradáveis diante do pai! Seu filho amado no qual ele
tem prazer, foi um fundamento pelo qual nos aceitou em sua graça, pois, foi a
morte de Cristo que nos resgatou. A vontade soberana de Deus, fez com que seu
povo eleito e predestinado se tornasse agradáveis pela graça por causa de
Cristo Jesus, sua obra expiatória livrando-nos do estado de pecado e miséria,
removendo o trapo de nossa auto-justiça imunda. E nos imputando a justiça
decorrente da obra de Cristo e obediência de Cristo!
Ninguém é
recomendado a presença de Deus em graça sem o Amado! Paulo usa o verbo
|| ἠγαπημένῳ (egapemenô)|| é um verbo que tem uma ação passada, mas com resultados permanentes e
duradouro de forma progressiva. Cristo sempre é o amado do pai é essa
implicação do verbo grego empregado!
Aqui Paulo
começa a introduzir a segunda pessoa da Trindade bendita, Deus o filho também é
o agente de nossa eleição e predestinação, porque foi por causa de sua pessoa que
Deus operando em graça nos fez aceitáveis diante de si mesmo! A linguagem
paulina nos lembra os sacrifícios realizados no período do Antigo Testamento –
onde quando uma oferta era “agradável” Deus aceitava de forma a usar a figura
de receber nas suas narinas! Foi exatamente isso que ocorreu conosco! O Amado
nos cobriu com seu sangue tirando nossa imundícia pecaminosa e nos colocando a
sua justiça redentora, e nos fazendo aceitáveis em Graça diante de Deus
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