A DOUTRINA DA EXPIAÇÃO LIMITADA

 

A DOUTRINA DA EXPIAÇÃO LIMITADA

Rev. João França.

INTRODUÇÃO:

            Nosso estudo hoje se ocupa de tratar de um dos temas mais difíceis da teologia cristã. O tema que aborda dois aspectos fundamentais da Morte de Cristo: (1) A extensão; e, (2) A Eficácia.

            Muitos nesta discussão se limitam a respeito da temática da extensão (ou seja, o alcance) da morte de Cristo, ignorando o que ele efetivamente fez com sua morte (eficácia). Quando nós estudamos este assunto devemos considerar estes dois temas que envolvem a morte de Cristo. A pergunta muito comum é: Por quem Cristo Morreu? Ou Jesus Cristo Morreu por Todos?

            A resposta ofertada a esta pergunta geralmente classificam dois grupos de pessoas:

(1)   As que acreditam que Jesus Cristo morreu por cada pessoa neste mundo;

(2)   As que acreditam que Jesus Cristo morreu por um grupo específico.

Os primeiros são geralmente classificados como os arminianos que acreditam que a morte de Cristo foi destinada a todos os homens! Os segundos são conhecidos como calvinistas, estes acreditam que a morte de Cristo foi destinada a um grupo específico da humanidade. Mas, a pergunta é: O que ensina a Bíblia?  

I – AS VISÕES SOBRE A EXPIAÇÃO.

Consideraremos agora a questão das visões a respeito da expiação pelo prisma de várias concepções teológicas.

1 – Teoria do Resgate

Baseia-se na imagem de Jesus sendo oferecido como “resgate de muitos”. Ela defende que  o resgate que Cristo pagou para nos redimir foi dado a Satanás, em cujo reino se encontravam todas as pessoas devido ao pecado. Essa visão foi sustentada por Orígenes, teólogo de Alexandria que viveu no século II,  e depois dele por alguns outros na história antiga da igreja. De acordo com esse ponto de vista, Jesus pagou o preço devido a Satanás pela humanidade, que antes da crucificação do Filho era mantida em escravidão do Diabo. Contudo, têm um problema em achar que Deus “devia” algo a Satanás, o que daria ao anjo caído um poder maior do que é atribuído a ele pelas Escrituras. (WRIGHTH. 1998, p.158)

2 – Teoria da Substituição

Também chamada de Substituição Penal, essa explicação e suas variações enfatizam o sofrimento de Cristo na cruz como um substituto para a humanidade pecadora.

Esta teoria considera a expiação de Cristo como um sacrifício vicário e substitutivo, que satisfaz as exigências da justiça de Deus sobre o pecado. Através  do seu sacrifício, Cristo pagou a penalidade do pecado do homem, trazendo perdão, imputando justiça e reconciliando o homem com Deus.

Essa é uma teoria muito popular entre os que seguem a linha do reformador João Calvino, que abordava essa perspectiva em seus escritos.

O professor Kreider afirma se identificar com ela, pois seria a única “distintamente cristã”.  Ele lembra que, desde o início da história da redenção, a substituição é enfatizada nas Escrituras.

Em Gênesis, “quando Adão e Eva pecaram, Deus matou um animal para oferecer a eles  roupas de pele animal”. Além disso, Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf João 1:29), “portanto ele cumpre a tipologia do sistema sacrificial da Antiga Aliança “, sublinha Kreider.

3 – Teoria do Exemplo

Ela possui pequenas variações nos teorias do Exemplo Moral e da Influência Moral. Esse modelo se concentra mais na vida de Jesus do que na crucificação ou na ressurreição.

A teoria do exemplo, à semelhança da teoria da influência moral, nega que a justiça de Deus exija castigo pelo pecado. Ela defende que a morte de Cristo simplesmente nos provê um “exemplo” de como devemos confiar em Deus e obedecer-lhe de modo perfeito, mesmo que essa confiança e obediência nos levem a uma morte horrível.

A teoria do mero “exemplo moral” é muito criticada por diminuir a importância da divindade de Jesus, bem como a necessidade de que os pecados sejam perdoados.

O doutor Robbie Crouse, professor  do Seminário Knox, aponta que este modelo tem “insuficiências notáveis”. “Vejo que o modelo exemplar está na Escritura, pois devemos seguir o exemplo de Cristo, que se ofereceu na cruz por amor. Mas da perspectiva de Deus redimindo a humanidade pecadora, ela é muito limitada”, argumenta.

4 – Teoria da Satisfação

Vista como a precursora da Teoria da Substituição Penal, a Teoria da Satisfação foi desenvolvida por Anselmo, Arcebispo de Canterbury, que viveu entre 1033 e 1109. Anselmo argumentava que o pecado do homem, por falhar em render a Deus aquela conformidade a Sua vontade, que as criaturas racionais Lhe devem, insulta a honra de Deus e faz o ofensor responsável por uma satisfação.

Visto que desonrar o infinito Deus é pior do que destruir incontáveis mundos, até mesmo o menor pecado tem um desvalor infinito, o qual nenhum bem criado pode compensar por meio de uma satisfação. Embora a natureza de Deus impeça que Seus propósitos sejam ou possam ser frustrados pela resistência da criatura, Sua justiça requer que Ele não faça vistas grossas para uma ofensa tão grande contra Ele.

O teólogo R.C. Sproul explica que “Esse ponto de vista tornou-se a peça central da ortodoxia cristã clássica na Idade Média, no tocante à compreensão da igreja sobre a obra de Cristo em Sua expiação”.

II – A DOUTRINA DA EXPIAÇÃO E O ENSINO DAS ESCRITURAS.

Na palavra “sacrifício” encontramos a chave para o significado da morte de Cristo, mas qualquer que seja a explicação que venha a deixar de fora o elemento da expiação é totalmente antibíblica, no Novo Testamento nada é mais assinalado do que o uso de termos sacrificiais para mostrar a morte de Jesus Cristo. “As escrituras falam que ele é “O Cordeiro de Deus”, João 1:29, evidentemente em vista de Isaías. 53 e do cordeiro pascal, “Cordeiro sem defeito e sem mácula,” 1o Pedro. 1:19, e mesmo “Nossa Páscoa”, ou “Nosso Cordeiro Pascal”, que foi imolado por nós, 1o Coríntios. 5:7.

            Nas Escrituras encontramos evidências suficientes para a posição de que Cristo morreu por alguns homens. Owen nos lembra que se compreendermos a morte de Cristo em tons universalistas devemos encarar o seguinte dilema:

Se dissermos que a morte de Cristo foi um resgate, ou pagamento, por toda a raça humana, então: 1. todos os homens têm o poder para aceitar ou rejeitar aquela redenção; ou 2. todos os homens realmente são redimidos por Cristo, tenham eles conhecimento disso ou não. (OWEN, 1990, p.7).

Essa forma de colocar as coisas coloca-nos frente a frente de um problema singular da teologia que é a questão da extensão e da eficància da morte de Cristo conforme já tratamos; John Owen apresenta uma resposta interessante ao dilema posto:

A morte de Cristo por todos os homens somente poderia ser real, se uma dessas afirmações fosse verdadeira. Mas a primeira sugestão nega o ensino bíblico de que todos os homens estão irremediavelmente perdidos no pecado e em si mesmos não têm poder para se chegarem a Cristo. A segunda sugestão nega o ensino bíblico de que alguns homens estão perdidos para sempre. Obviamente, há profundas dificuldades com relação à afirmativa de que a morte de Cristo foi por todos os homens. (idem)

O que nós encontramos declarado nas Escrituras sobre este assunto? Primeiro, as escrituras apresentam o propósito efetivo da morte de Cristo:

1. Lucas 19: 10. "Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido." - Portanto, está claro que Deus pretendia realmente salvar os pecadores perdidos mediante a morte de Cristo.

2. Mateus 1 :21. " ... e chamarás o seu nome Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados." - Portanto, tudo que fosse realmente necessário para salvar os pecadores deveria ser feito por Jesus Cristo.

3. I Timóteo 1: 15. " ... que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores." - Isso não nos permite supor que Cristo veio simplesmente para possibilitar a salvação dos pecadores; pelo contrário, insiste no fato de que Ele veio realmente para salvá-las.

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